terça-feira, 18 de novembro de 2014

César Passarinho interpretava com a alma

Faço aqui uma reverência para aquele que, para mim, é o principal intérprete da música nativista, gaúcha... César Passarinho. Interpretava com a alma. Talento avassalador. Voz trêmula que fazia todos prestarem atenção ao que cantava. Faleceu em 1998, aos 49 anos, deixando clássicos não apenas para a música nativista. Para além dos pagos gaúchos, César Passarinho é um intérprete universal.

Abaixo dois videclipes da música Guri vencedora da 13º Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, em 1983. Um video foi gravado no programa Galpão Crioulo da RBS TV, em 1984 e, o outro, na própria Califórnia citada.

Os intérpretes são César Passarinho (voz), Renato Borgeghetti (gaita) e Neto Fagundes (violão).

Segue a letra com composição de João Batista Machado e Júlio Machado da Silva Filho.

Guri

Das roupas velhas do pai queria que a mãe fizesse
Uma mala de garupa e uma bombacha e me desse

Queria boinas e alpargatas e um cachorro companheiro
Pra me ajudar a botar as vacas no meu petiço sogueiro

Hei de ter uma tabuada e o meu livro "Queres Ler"
Vou aprender a fazer contas e algum bilhete escrever Pra que a filha do seu Bento saiba que ela é meu bem querer
E se não for por escrito eu não me animo a dizer

Quero gaita de oito baixos pra ver o ronco que sai
Botas feitio do Alegrete e esporas do Ibirocai
Lenço vermelho e guaiaca compradas lá no Uruguai
Pra que digam quando eu passe saiu igualzito ao pai

E se Deus não achar muito tanta coisa que eu pedi
Não deixe que eu me separe deste rancho onde nasci
Nem me desperte tão cedo do meu sonho de guri
E de lambuja permita que eu nunca saia daqui




(Luiz Alberto Cassol / julho de 2009)