Pessoal coloco abaixo um texto que escrevi para a Revista "Chiliguidum", edição número 01 / 2009 (lançada no final do ano), uma bela iniciativa da Chili Comunicação e da sempre guerreiros da cultura, Rose Carneiro e Máucio. Algumas pessoas, principalmente cineclubistas, me solicitaram o texto. Então, também reproduzo aqui para refletirmos sobre.
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Uma nova forma de assistir filmes
Com o advento da internet houve quem falasse que os jornais e livros poderiam acabar. Porém, o hábito de comprar um jornal em uma banca ou ir até uma livraria para escolher um livro é absolutamente insubstituível. No caso de assinantes de revistas ou jornais, a imagem dos impressos na entrada da porta é um momento de fascínio que marca as manhãs. Da mesma forma, o ato de assistir filmes em salas de cinema, faz algum tempo, teve seu fim decretado. Tudo isso dito em função da televisão e, hoje, do avanço das novas mídias e da comodidade de assistir filmes em casa. Nas salas comerciais de cinema, a partir da segunda metade dos anos noventa do século que recém termina algo pior foi decretado: o fechamento desses espaços. Pois a magia da sala escura e o ato de ir ao cinema vão continuar existindo. Sempre! E um dos principais fatores para que isso aconteça são os cineclubes. A partir do início do novo século, eles voltaram com força. Principalmente, nas cidades de pequeno e médio porte pelo país, os cineclubes têm sido a grande alternativa para que o público tenha acesso ao universo do cinema. Isso é uma revolução cultural. Mais do que isso. Essa forma diferente de exibição da convencional sala de cinema tem provocado um movimento contrário ao já referido fim das salas comerciais. Muitos dos novos proprietários dessas salas têm procurado fazer parcerias diretas com diretores, cineclubes, centros culturais, escolas e faculdades. Dessa forma, procuram diversificar suas programações, antes apenas restritas à imposição dos grandes grupos distribuidores, essencialmente americanos. Ao encontro disso está o movimento cineclubista brasileiro, que em 2008, celebra 80 anos de atividades, marcando sua trajetória pela abertura das telas para a cinematografia brasileira e também para demais cinematografias que não recebem espaço de exibição, demonstrando sua política alternativa ao mercado. E numa forma completamente contrária às salas tradicionais fazem com que as pessoas escolham o filme que desejam ver e participem das programações. Agora as cidades de pequeno e médio porte, percebem e adotam em suas rotinas o ato de ir a um cineclube e isso ecoa na sociedade e faz com que a abertura das novas salas comerciais procurem abrir espaço para novas programações, invertendo a lógica dos grandes grupos que impõem o que deve ser visto. Isso é uma comprovação de que o conceito de cineclube, um local onde as pessoas se encontram para assistir e debater cinema, irá se perpetuar. Algumas cidades gaúchas como Santa Maria, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, entre outras, é nos cineclubes que o público encontra o filme na tela e consegue dar vazão a sua vontade de assistir e discutir sobre filmes com outras pessoas. Ser cineclubista é uma filosofia de vida. É nesses espaços que vemos os filmes, sim como entretenimento, mas para muito além, um ato de reflexão, de provocação e de concordância ou não daquilo que está na tela. Além disso, vindo ao encontro da tradição cineclubista, cada vez mais esses têm promovido o encontro direto do público com diretores, atores, produtores, formando uma cadeia de reflexão constante e provocativa.
Em Santa Maria temos uma situação muito especial que ilustra o que foi dito até aqui. Dois cineclubes mantém suas atividades semanais: o Cineclube UNIFRA, com sessões todos os sábados e o Cineclube Lanterninha Aurélio, projeto cultural da Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria – CESMA, com sessões todas as quartas, e que, em 2008, juntamente com a cooperativa está comemorando 30 anos de atividades. Vários lançamentos de filmes acontecem no Lanterninha Aurélio. Para ficar num exemplo bem recentemente, em outubro, o filme “Netto e o Domador de Cavalos”, de Tabajara Ruas, teve pré-estréia com a presença do diretor e dos atores Sirmar Antunes e Evandro Elias. Por outro lado, Santa Maria ficou sem sala de cinema comercial por quase um ano e foram os cineclubes que mantiveram o hábito de assistir filmes numa grande sala escura junto com outras pessoas. No início de 2008 a empresa Movie Arte Cinemas, reabriu as duas salas do Santa Maria Shopping. Os diretores da empresa, Beto Rodrigues e Cícero Aragon, que também atuam em entidades do audiovisual gaúcho, abriram os espaços com novas propostas de parcerias e um conceito de respeito e aproximação do público. Permito-me um exemplo bem pessoal para demonstrar isso. Em junho, recebi o convite para que um curta que dirigi “Fome de quê?”, que teve todas as suas cenas gravadas em Santa Maria, fosse lançado, numa dessas salas, em parceria com o longa-metragem “Valsa para Bruno Stein”, do cineasta Paulo Nascimento, que foi rodado em Caçapava do Sul. Após o lançamento, os filmes ficaram três semanas em cartaz e demonstraram que o público deseja ver e refletir sobre produções locais que o aproximem de histórias, cenários e paisagens que fazem parte de seu cotidiano. Os cineclubes sinalizam o caminho faz algum tempo. O caminho começa a ser compartilhado. O público agradece.
Uma nova forma de assistir filmes
Com o advento da internet houve quem falasse que os jornais e livros poderiam acabar. Porém, o hábito de comprar um jornal em uma banca ou ir até uma livraria para escolher um livro é absolutamente insubstituível. No caso de assinantes de revistas ou jornais, a imagem dos impressos na entrada da porta é um momento de fascínio que marca as manhãs. Da mesma forma, o ato de assistir filmes em salas de cinema, faz algum tempo, teve seu fim decretado. Tudo isso dito em função da televisão e, hoje, do avanço das novas mídias e da comodidade de assistir filmes em casa. Nas salas comerciais de cinema, a partir da segunda metade dos anos noventa do século que recém termina algo pior foi decretado: o fechamento desses espaços. Pois a magia da sala escura e o ato de ir ao cinema vão continuar existindo. Sempre! E um dos principais fatores para que isso aconteça são os cineclubes. A partir do início do novo século, eles voltaram com força. Principalmente, nas cidades de pequeno e médio porte pelo país, os cineclubes têm sido a grande alternativa para que o público tenha acesso ao universo do cinema. Isso é uma revolução cultural. Mais do que isso. Essa forma diferente de exibição da convencional sala de cinema tem provocado um movimento contrário ao já referido fim das salas comerciais. Muitos dos novos proprietários dessas salas têm procurado fazer parcerias diretas com diretores, cineclubes, centros culturais, escolas e faculdades. Dessa forma, procuram diversificar suas programações, antes apenas restritas à imposição dos grandes grupos distribuidores, essencialmente americanos. Ao encontro disso está o movimento cineclubista brasileiro, que em 2008, celebra 80 anos de atividades, marcando sua trajetória pela abertura das telas para a cinematografia brasileira e também para demais cinematografias que não recebem espaço de exibição, demonstrando sua política alternativa ao mercado. E numa forma completamente contrária às salas tradicionais fazem com que as pessoas escolham o filme que desejam ver e participem das programações. Agora as cidades de pequeno e médio porte, percebem e adotam em suas rotinas o ato de ir a um cineclube e isso ecoa na sociedade e faz com que a abertura das novas salas comerciais procurem abrir espaço para novas programações, invertendo a lógica dos grandes grupos que impõem o que deve ser visto. Isso é uma comprovação de que o conceito de cineclube, um local onde as pessoas se encontram para assistir e debater cinema, irá se perpetuar. Algumas cidades gaúchas como Santa Maria, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, entre outras, é nos cineclubes que o público encontra o filme na tela e consegue dar vazão a sua vontade de assistir e discutir sobre filmes com outras pessoas. Ser cineclubista é uma filosofia de vida. É nesses espaços que vemos os filmes, sim como entretenimento, mas para muito além, um ato de reflexão, de provocação e de concordância ou não daquilo que está na tela. Além disso, vindo ao encontro da tradição cineclubista, cada vez mais esses têm promovido o encontro direto do público com diretores, atores, produtores, formando uma cadeia de reflexão constante e provocativa.
Em Santa Maria temos uma situação muito especial que ilustra o que foi dito até aqui. Dois cineclubes mantém suas atividades semanais: o Cineclube UNIFRA, com sessões todos os sábados e o Cineclube Lanterninha Aurélio, projeto cultural da Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria – CESMA, com sessões todas as quartas, e que, em 2008, juntamente com a cooperativa está comemorando 30 anos de atividades. Vários lançamentos de filmes acontecem no Lanterninha Aurélio. Para ficar num exemplo bem recentemente, em outubro, o filme “Netto e o Domador de Cavalos”, de Tabajara Ruas, teve pré-estréia com a presença do diretor e dos atores Sirmar Antunes e Evandro Elias. Por outro lado, Santa Maria ficou sem sala de cinema comercial por quase um ano e foram os cineclubes que mantiveram o hábito de assistir filmes numa grande sala escura junto com outras pessoas. No início de 2008 a empresa Movie Arte Cinemas, reabriu as duas salas do Santa Maria Shopping. Os diretores da empresa, Beto Rodrigues e Cícero Aragon, que também atuam em entidades do audiovisual gaúcho, abriram os espaços com novas propostas de parcerias e um conceito de respeito e aproximação do público. Permito-me um exemplo bem pessoal para demonstrar isso. Em junho, recebi o convite para que um curta que dirigi “Fome de quê?”, que teve todas as suas cenas gravadas em Santa Maria, fosse lançado, numa dessas salas, em parceria com o longa-metragem “Valsa para Bruno Stein”, do cineasta Paulo Nascimento, que foi rodado em Caçapava do Sul. Após o lançamento, os filmes ficaram três semanas em cartaz e demonstraram que o público deseja ver e refletir sobre produções locais que o aproximem de histórias, cenários e paisagens que fazem parte de seu cotidiano. Os cineclubes sinalizam o caminho faz algum tempo. O caminho começa a ser compartilhado. O público agradece.
(Luiz Alberto Cassol / 03 de março de 2009)